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O padrão estético encontrado em muitas revistas e em comerciais, está longe de representar a mulher brasileira. Com variações de tamanhos e raças, o nosso país mostra a diversidade e beleza da mulher.

Por isso é importante saber que o padrão de beleza da mídia está longe de ser alcançado, prova disso, é que uma pesquisa sobre as medidas do corpo brasileiro, realizada pelo Senai, revelou que as numerações 42 e 44 de algumas grifes, são na verdade, cerca de 10 centímetros menores do que o necessário para vestir bem e de forma confortável as consumidoras.

Ou seja, não deixe-se definir por numerações. Cada mulher deve encontrar sua própria beleza, os cuidados com o corpo, precisam ser principalmente de dentro pra fora pra ter uma vida saudável, e uma longevidade bonita. Os termos all sizes, plus size, small size, curve size estão cada vez mais nas discussões, exatamente por essa afirmação de empoderamento da mulher com seu físico.

Os novos movimentos do mundo da moda, estão surgindo para incluir à todos e todas, tentando nos libertar de padrões e imposições. É preciso mostrar a importância desses novos termos na internet e nas redes sociais para que a mídia entenda a necessidade de mudar o foco dos padrões negativos para abraçar os positivos.

Corpos brasileiros

Estudo do Senai-Cetiqt usou 10 mil voluntários nas cinco regiões brasileiras (16 estados e 27 cidades) para ajudar a classificar os diferentes tipos de corpos dos brasileiros. A pesquisa foi composta em 64% de mulheres e 36% de homens.

Por meio de um scanner humano, foram definidas tabelas de medidas masculinas e femininas divididas por biótipos. Para as mulheres, os biótipos são: retângulo, triângulo, ampulheta, colher e triângulo invertido. Essa caracterização é baseada na proporção entre busto, cintura, quadril e quadril alto.

As mulheres de biótipo retângulo foram a maioria, correspondendo a aproximadamente 76% da amostra, seguida de triângulo (8%), ampulheta (6%), colher (5%) e triângulo invertido (5%).

É chamado de corpo retângulo aquele cujos ombros, quadris e cintura estão na mesma linha e suas formas costumam apresentar poucas curvas, com pernas normalmente finas.

O corpo triângulo ou pêra, apresenta os ombros mais estreitos com quadril mais largo, coxas volumosas e cintura fina.

O formato de  corpo ampulheta, é aquele cujo ombros e quadris estão na mesma linha. Os seios são médios e as curvas são suaves, e a cintura é fina.

As formas do corpo colher ou oval, apresentam todas as linhas curvas e o pescoço largo. Já a cintura pode ser maior ou alinhada na mesma linha dos ombros e quadris.

O triângulo invertido é o tipo de corpo cujo volume maior está concentrado na parte de cima. Os ombros são sempre maiores do que os quadris, a cintura tende a ser reta, a barriga saliente, as costas largas e as pernas longas e finas.

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A intenção do estudo, é aplicar as tabelas em consultorias para que empresas de confecção adequem as suas medidas de acordo com os corpos dos brasileiros. A indicação das medidas reais de corpo nas roupas seriam uma boa solução para a compra por pessoas de tamanhos plus size, small size e medium size.

Diversidade nas passarelas

Com a demanda cada vez mais presente da diversidade, o movimento no mundo fashion já começou a levantar a bandeira da pluralidade. E essa onda deve ser abraçada por todos e não somente pelas pessoas que se consideram all sizes, plus sizes e small sizes. Essa mudança de padrão nas passarelas não está acontecendo somente agora em razão dos tamanhos especiais. Outras bandeiras, como por exemplo, das negras e das curvilíneas também já precisaram ser conquistadas.

Atualmente já é possível ver com maior frequência, meninos e meninas com gêneros e aparências pouco convencionais, de etnias e biotipos “fora do padrão” desfilando nas passarelas. O que antes acontecia pontualmente em desfiles alternativos, vem ganhando mais impulso. Claro, a predominância pelas modelos “clássicas” altas e muito magras, ainda é maior, porém é possível sentir a representatividade ganhando cada vez mais força.

Nos últimos desfiles da conhecida grife de moda praia, Água de Coco, a estilista Liana Thomaz, afirmou que “não existe mais fazer maiô só para gente magra e perfeita. Todo mundo é igual, então precisa ter essa inclusão”. E essa lógica vem sendo seguida por muitas marcas famosas que vêm acompanhando as mudanças de padrões.

A moda não veste só modelos, ela veste diferentes tipos de pessoas, e é essa afirmação que todas as mulheres devem ter em mente. É possível sim se vestir bem e gostar da moda independente do seu tamanho ser all sizes, plus size, small size, e mesmo se tiver 20 ou 70 anos. Você não precisa se adequar a moda, e sim o contrário, a moda se adequar às suas consumidoras.

Body Positivity e Body Neutrality  

A abertura do mercado da moda para a diversidade de tamanhos como, por exemplo, o all sizes e plus size, também foi impulsionada pelos movimentos Body Neutrality e Body Positivity.

Nos últimos anos, o movimento Body Positivity ou Positive ganhou força em todo o mundo para incentivar as pessoas a se amarem como são, se tornando um estilo de vida para muitas mulheres. A ideia é rejeitar os padrões de beleza impostos e aceitar o próprio corpo com suas qualidades e defeitos.

Seguindo a mesma tendência, porém com foco principalmente em mulheres que tem dificuldade com a autoaceitação, o movimento Body Neutrality veio propor uma neutralidade para os períodos que antecedem a aceitação. O Neutrality também promove uma relação saudável entre a mente e o corpo, porém com a proposta mais consciente do processo psicológico.

Podemos dizer que o propósito principal de ambos é reconhecer que na moda e na vida, o que funciona para uma pessoa pode não ser o melhor para o outra. Ou seja, sem padrões.

All sizes

All sizes na tradução literal, quer dizer, todos os tamanhos. O movimento busca a inclusão de todos os tamanhos, do PP ao XXG. Porém muitos especialistas, ainda consideram o all size uma narrativa em construção, principalmente porque muitas mulheres estão lutando contra as imposições estéticas, e ainda não conseguiram assumir positivamente seus corpos.

Essa proposta de moda sem limitações, vem ao encontro da afirmação que a mulher é dona do próprio corpo e dos próprios desejos, esse espaço feminino também vem sendo buscado com campanhas de empoderamento e  respeito. Infelizmente o movimento all sizes e nem a igualdade feminina chegaram ainda ao seu ápice, porém com os “primeiros passos” já sendo dados, e com muitos apoiadores, é possível ter esperança de boas mudanças.

Prova disso, é quem em 2019, o Brasil terá seu primeiro concurso de beleza All Size. O “Miss Brasil ALL SIZE” idealizado por Luciana Augusto, que possui  três títulos de Miss Plus Size. O intuito de acordo com ela, é conscientizar as marcas para atender todos os tipos de corpos sem segregação.

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Plus size

O termo plus size surgiu em 1920 para especificar quais eram as roupas produzidas com exclusividade para as gestantes, a partir de 1953, a expressão passou a ser usada para definir as “mulheres grandes”.

Na década de 70 foi incorporada nos Estados Unidos pelas indústrias de moda, para designar os manequins acima de 44. Mas somente na década de 90, com o seu uso em revistas nacionais e internacionais, o termo começou a ganhar mais notoriedade.

Houve uma triste época que comprar roupas maiores só era possível sob medida, após iniciou-se o período da segmentação, com lojas de roupas exclusivas plus size, e hoje estamos caminhando para novas eras: a extinção desta diferença. Já é possível encontrar muitas lojas e marcas que atendem públicos de variados tamanhos e gostos.

Por volta de 2008, os primeiros blogs de moda GG começaram a surgir no Brasil e trabalhar mais ativamente o lado negativo dos padrões, porém foi somente em  2017 que a moda plus size deu um salto maior . Modelos, influenciadoras e pessoas públicas levaram a discussão sobre a importância da diversidade para revistas, vídeos no YouTube e na televisão.

Em 2018 foi criada uma campanha pelas redes sociais, pedindo a inclusão de mulheres plus size nos desfiles da Victoria’s Secret. A marca é mundialmente conhecida, e seu desfile é um dos eventos do mundo da moda mais assistido e celebrado. No mesmo ano, a marca anunciou uma modelo com corpo mais curvilíneo do que as outras colegas. Ainda distante do tamanho plus size, mas que já representou para muitos uma “evolução” do padrão Victoria’s Secret que é de mulheres altas e bem magras.

O setor de vestuário para quem veste acima do tamanho 46 faturou no ano passado R$ 7,1 bilhões, segundo dados da Associação Brasil Plus Size. Ainda de acordo com a associação, o setor deve manter uma taxa média de crescimento de 7% ao ano. Mas daqui a cinco anos, há previsão que esse número chegue a 15% graças aos movimentos como o all sizes que vem fortalecendo novos conceitos da moda.

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Small size

Ao contrário do plus size, o termo small size, vem falar sobre os tamanhos pequenos. Seguindo o movimento all sizes, as mulheres pequenas também se sentem sem representação em algumas peças da moda, que ou não disponibilizam tamanhos menores que 36 e ou mesmo quando disponibilizam tamanhos menores, ainda sim precisam ser ajustados.

Por exemplo, o Body (espécie de Maiô ou Collant) costuma ser um dilema para as mulheres pequenas, isso porque o tamanho costuma ser padrão, significando que vai ficar com uma sobra na parte de baixo. Outras peças, como a calça modelo Flare, que precisa ser cortada na barra, acaba prejudicando o “estilo boca larga” da peça.

O movimento small size também é uma bandeira em prol da releitura da numeração das peças, roupas e tamanhos brasileiros. Uma vez que é possível encontrar mulheres que usam 36 e medem mais de 1,60 de altura, mas também há muitas com essa mesma numeração que não passam dos 1,55.  

Medium size

Já os tamanhos médios, podemos dizer que estão entre o small size e o plus size. Podemos ainda falar que esse é o tamanho chamado por muito como o “padrão brasileiro”: quadril largo e pernas grossas. Porém, somos a favor de não termos padrões, e sim pessoas diferentes e com medidas diferentes.

As mulheres medium size compreendem aquelas que se sentem confortáveis usando roupas M e G. Mas o grande problema, é que não há, uma constância nas medidas desses tamanhos, e a variação de fábricas, grifes, estilistas e lojas, pode ser muito grande, representando uma grande dificuldade em comprar roupas.

Mais uma vez o movimento all sizes vêm propor uma melhor adequação de tamanhos, cores, formas, modelagens para que todos possam ser bem atendidos, afinal a moda diz respeito a uma sociedade e não a alguns indivíduos.

No dicionário, moda significa: “conjunto de opiniões, gostos, assim como modos de agir, viver e sentir coletivos”. Essa visão coletiva está sendo incorporada, e talvez demore mais algum tempo para sentirmos na sua totalidade.

Nós enquanto mulheres, precisamos estar preparadas psicologicamente e fisicamente para irmos contra qualquer padronização que não nos representa. Primeiro de tudo, é preciso assumir que somos diferentes e entender que essas diferenças são muito bem-vindas. Nenhum corpo é igual ao outro, da mesma forma que nenhuma mulher é igual a outra. Temos gostos, tipos físicos e características que nos tornam únicas, lindas e importantes.

Os termos all sizes, plus size, small size e tantos outros que ainda surgirão, não falam da nossa essência, e sim de nomenclaturas da moda que precisam ser absorvidas pelo mundo fashion para que todas tenham acesso às roupas que acharem bonitas, e que se sintam confortáveis e bem vestidas nelas.

Esperamos que tenha gostado do artigo e que sua única preocupação em relação ao seu corpo, seja com sua saúde e bem-estar. Sentir-se bem com você mesmo e feliz com as peças que usa é um grande passo para a autoaceitação.

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